domingo, 30 de março de 2014

batom e boca


Na esquina dos meus silêncios, a tua boca. Me deixa pintá-la com a língua, mordê-la devagar, como se tu fosses minha sobremesa preferida, minha primeira taça, a primeira vez que tomei chimarrão.

Faz tanto tempo, pequeno. E, sabe, aqui sozinha, há tanto tempo sozinha,  maquio meu futuro com o nosso passado, e ele fica tão bonito assim. Todos os dias, acordo e meu futuro está sempre sempre sempre tão feio, aí te passo por cima dele, desenho teus braços no começo das manhãs, teu pescoço no fim do dia, tuas palavras no meio das coxas, e então vale a pena aguentar mais um dia, mais umas provas, mais umas arbitrariedades, mais roubos, mais medo, mais engarrafamento, pensando no meu futuro aquarelado de ti.

Tua ausência é tão íntima que já não faz nenhum sentido falar em saudade.

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