Eu, ziguezagueando por entre teu olhar. Meio agitada, meio maluca, meio intensa. Tudo armação. Teatro de primeira série. Simulacro vulgar.
Quero silêncio e demora de ponteiros. Uma música de fundo bem chorona, e toda a vontade do mundo de jamais sair do lugar. Mas assim te perco. Admita, precisamos dessa farsa toda da mesma maneira que preciso passar a base, o pó corretivo e o rímel. Porque atrás disso tudo estou eu.
E não interesso a ninguém.
Vulnerável e medrosa e inapta a matar baratas. Sou todas as mulheres do mundo.
E elas nunca te interessaram. Salvo assim, salvo agora.
A gente, aqui, no quarto. Velas acesas e cortina baixa. Protocolos cumpridos. Bebemos um vinho, tu me conta uma piada sem graça. Rio até virar um pouco de vinho na tua camisa. Tem de tirar e passar sal.
Derramar sal dá azar.
Derramar vinho dá sexo.
Sorrio e escorrego meio vadia pelo teu peito, meio vazia pelo meu peito.
Pulsão sexual, pra mim, sempre foi falta de assunto.
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