Te nacionalizo e te ofereço fronteiras. Eu, apátrida dos teus braços, refugiada na tua íris. Eu, que construo castelos de areia nos teus cabelos. Você, que colocou o mar dentro do meu peito naquela primeira vez, tão longe.
Eu sei que sou por excessos. Você tem o comedimento de um continente de guerras e fome. Eu tenho a pressa de país que se desenvolveu mais tarde. Sou ansiosa, pulo e afasto o gato. Mas se eu te afastar de mim, nenhuma pressa bastará. Nenhum dia será tropical o bastante. Nenhuma melodia será bossa-nova. Será sempre chuva nas minhas veias. Você, o maior segredo das minhas mentiras. A voz que me versa e me inverte e me desprende de tudo que eu fui, que muda violento a rota dos meus planos, os ventos da palma da minha mão. Uma corrente marítima, como Humboldt, seu nome ficaria bem em uma corrente marítima. E eu, navio ancorado no fluido da tua voz. Ao sabor da corrente que você me deu, a pequena corrente de prata para que meu pescoço valesse alguma coisa longe de ti.
Que idéia mais imbecil, valer alguma coisa longe de ti.
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