Acho que tu nunca percebeu, mas há quatro anos, naquele dia em que nos falamos pela primeira vez, fui eu. Com cara de ingênua, levemente perdida, coloquei a mão bem suave no teu braço e perguntei alguma coisa qualquer. Continuamos a conversa e umas horas depois, quando tu me beijou na beira da praia, soube que tu nem desconfiava que desde o início fora eu. Eu te escolhi.
Depois, quando tu foi embora, continuei te escolhendo. Em cada festa em que fui e não estava, em cada viagem que fui sem ti, em cada congresso em que não achava teu nome entre a lista de participantes, ainda assim te escolhia.
Pelos últimos quatro anos, te escolhi a cada dia.
E tu sabe bem que detesto escolher. Mas o que nunca te disse é que, quando escolho, escolho bem e uma vez só.
Pelos próximos cinquenta anos, ainda vou escolher você.
Porque te vejo sorrir e escolho você.
Te vejo fatiando o pão e escolho você.
Te vejo escovando os dentes e escolho você.
Te vejo dormir e escolho você.
Te vejo temperando a salada e escolho você.
Ouço tua voz se desculpando pelo atraso e escolho você.
Mas, por favor, tenta não se atrasar tanto assim. Já esperei dois anos por ti. Cada minuto de espera é, no fim, dois anos e um minuto, dois anos e dois minutos, e os anos são tão tristes sem ti.
E quando não voltares, escolherei você.
Quando escolher outro, estarei escolhendo você.
Quando desistir de escolher, de novo escolhi você.
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