domingo, 30 de março de 2014

Eleição e ditadura.


Acho que tu nunca percebeu, mas há quatro anos, naquele dia em que nos falamos pela primeira vez, fui eu. Com cara de ingênua, levemente perdida, coloquei a mão bem suave no teu braço e perguntei alguma coisa qualquer. Continuamos a conversa e umas horas depois, quando tu me beijou na beira da praia, soube que tu nem desconfiava que desde o início fora eu. Eu te escolhi.

Depois, quando tu foi embora, continuei te escolhendo. Em cada festa em que fui e não estava, em cada viagem que fui sem ti, em cada congresso em que não achava teu nome entre a lista de participantes, ainda assim te escolhia.

Pelos últimos quatro anos, te escolhi a cada dia.

E tu sabe bem que detesto escolher. Mas o que nunca te disse é que, quando escolho, escolho bem e uma vez só.

Pelos próximos cinquenta anos, ainda vou escolher você.

Porque te vejo sorrir e escolho você.

Te vejo fatiando o pão e escolho você.

Te vejo escovando os dentes e escolho você.

Te vejo dormir e escolho você.

Te vejo temperando a salada e escolho você.

Ouço tua voz se desculpando pelo atraso e escolho você.

Mas, por favor, tenta não se atrasar tanto assim. Já esperei dois anos por ti. Cada minuto de espera é, no fim, dois anos e um minuto, dois anos e dois minutos, e os anos são tão tristes sem ti.

E quando não voltares, escolherei você.

Quando escolher outro, estarei escolhendo você.

Quando desistir de escolher, de novo escolhi você.

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