Esses bueiros a céu aberto que a alma tem. Evitar a todo custo. Não, meu bem, meus olhos não vão ser cifras. Meu coração serve mais pra cooperativa que pra banco.
A única proposta irrecusável que existe é a de passar o sábado sem sair da cama. Uma pausa para a luta eterna, o primeiro que cair dela vai buscar a pizza no portão. Valem mordidas e cócegas.
A cesta básica que preciso é de piquenique.
Teu closet é maior que a casa de algumas pessoas. A tua liberdade também?
Ser viciado por trabalho é a patologia menos humana que há. Se for para me viciar, será pela curva dos teus ombros. Como não acreditar que o vento passou eternidades soprando nela, desviando cada grão de areia do lugar até que atingisse esse ponto exato, essa curva perfeita e modulada exatamente para que eu me apoie nela em dias de chuva?
Trabalhar vai ser sempre minha paixão que causa úlceras e insônia, claro, mas meu vício vai ser mapear as tuas artérias e descobrir que o arco-íris termina no fundo dos teus olhos.
Meu vício vai ser, com a ponta dos dedos, escrever poemas nas tuas costas com o que sobrou do nosso suor.
Começo, é claro, por Cortázar.
E termino por recomeçar.
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