domingo, 30 de março de 2014

Dos outros e dos botões.

Dias desses, alguém me falou que os bons relacionamentos não podem ser pautados por sexo.

Pasmei.

Todos os relacionamentos dos quais mais gostei foram pautados guiados suados crivados por sexo.

É ridícula essa polarização alma vs. corpo. Em que ainda a alma resta acima do corpo.

Como se sexo fosse vil.

Isso é catolicismo, não é amor.

Amar é abrir botões.

Amar é todos os dias abrir cada botão da camisa dele, abrir com uma mão só, enquanto a outra vasculha e interroga aquele corpo, como se o jamais tivesse visto.

Como se o conhecesse há décadas.

É enrolar os dedos na tentativa de abrir mais rápido cada um deles, futebol de mesa em seu peito, que se aproxima, e me aproximo junto, tão junto que entre nossos dois corpos não há espaço suficiente para uma alma sequer.

Que se foda a alma.

Não entendo pessoas que precisam de confiança para ter sexo. Sou tão mais modesta, uma camisinha já me satisfaz.

Como confiar em alguém que ouve uma mulher falar horas a fio sem ganhar nada por isso ou estar nu ao seu lado?

Isso não é amor, é tortura.

Como confiar em uma mulher que aguenta o mau-humor masculino após um jogo idiota de futebol sem que à noite ele a faça sorrir?

Nem Capitu dissimula tão bem.

Só confio em casais que têm sexo antes de ter discussões existenciais.

O inferno são os outros,

mas são também parada obrigatória para o paraíso.

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