To imagine a solitude so crushing, so unconsolable,
that one stops breathing for hundreds of years.
(Paul Auster)
Faço uma petição e um dos autores tem teu nome. No mesmo dia, alguém com teu mesmo nome me envia um e-mail, e quase dói. Tempestade de acasos.
Pela primeira vez, teu nome arrancado de ti. Teu nome concatenado a fatos que não têm nada a ver com a tua vida. Teu nome enviado ao acaso, sem comprometimento, sem ansiedade pela resposta. Teu nome despido de ti.
É uma carga tão forte. Como desvincular do teu nome a tua voz, o teu riso, o teu suspiro e teu gemido curto? Como desvincular do teu nome o que eu mais quis para mim?
Arrancar do teu nome meu coração inteiro.
Como uma roupa em um brechó, teu nome pendurado no mundo, para ter um novo dono, um novo braço, uma nova história de conhecer alguém.
Teu nome com outro jeito de tomar café e nunca acabar o banho. Teu nome usado assim, displicentemente contra mim, que já acreditava, a essa altura, que ninguém mais poderia carregar o mesmo nome que tu.
Esqueci que o mundo são seis bilhões, e por certo deverão ter nomes iguais, porque a imaginação humana não cabe inteira nas palavras. Tu não cabe inteiro no teu nome, eu sei. Tu é também o que teu nome calava. Mas o contrário era a pequena verdade dos meus dias: teu nome, sim, era tu. E tu apenas.
Porque não faz sentido que qualquer um dentre os outros seis bilhões tenha o mesmo nome que tu. Não faz sentido que eu murmure tanto, com tanto amor, como um mantra, um nome tão comum pelas ruas.
Passei tanto tempo idolatrando teu nome que agora entendo aquelas proibições antigas, de deuses mortos, de jamais repetir um nome em vão.
Porque o nome é, no fundo, um desvão.
Tem tanta coisa no fundo dele que nem sei se uma pessoa deveria se chamar assim, como se fosse uma era geológica, ou nuvens.
Tem tanta coisa no fundo dele que nem sei se uma pessoa deveria se chamar assim, como se fosse uma era geológica, ou nuvens.
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