A lua está sempre grávida do próximo dia, te comento, e tu ri e me diz que é uma pena que ela não aborte alguns. Mas os dias contigo, não. Esses eu não quereria abortados. Que bom que vivessem até a meia-noite. Até o primeiro grito, que do espaço não se ouve, mas os mais perceptivos sentem, do nascer do dia seguinte.
Que os dias nasçam tanto parece bom, quando a gente sabe que vai conhecer alguém que nem tu um dia.
Claro, outro dia, quando a lua der vida ao dia que vai te levar embora de mim, vai doer bastante.
Mas já doeu antes também, até que em outro parto da lua passou.
Teus olhos brilham do tamanho de todas as luas que já vi.
O problema é a falta de gêmeos, tu me diz.
A lua nunca vai conseguir ter dois dias iguais a este.
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