domingo, 30 de março de 2014

Revisitando Montparnasse


Tem semanas em que o passado parece tão infinito, tão maior e mais potente que qualquer futuro possível, então choro, choro com a esperança estúpida de criar meu próprio rio, I wish I had a river, I could skate away on

Então me afogo nessa coisa horrível que é a memória e me contorço por dentro, fingindo um sorriso, decorando uma apresentação, estudando pra uma prova, e volta a vontade que andava sumida de fugir, me refugiar, surtar, por fim. 

Recebo de volta as cinquenta páginas que escrevi sobre ele, que tinha dado pra minha psicóloga pra ela compreender a gravidade da minha loucura há cerca de um ano. Ela diz que eu poderia publicar.

Imprimir minha dor e vendê-la. Fazer publicidade da minha dor. Autografar a minha dor. Dar a ela uma capa branca e uma orelha e dizer sorrindo "espero que goste" para eventuais leitores.

"Espero que goste", porque não sobrou nada de mim depois disso.

"Espero que goste", porque há três anos não sorrio de verdade.

"Espero que goste", porque nunca mais me gostei desde então.

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