domingo, 30 de março de 2014

La nuit qui se penche



Sozinha estou contra a cidade alheia.
Comigo
Sobre o cais sobre o bordel e sobre a rua
Límpido e aceso
O silêncio dos astros continua.

(Sophia Andresen)

***


No mundo da lua
Tudo é rocha e distância.

Bárbara me conta com a alma quebrada
que tu não te lembrarás.

Dessa noite que foi um ano.
Desse ano que foi uma noite.

Eu te falei de amor te falando de Cortázar.

Tua boca pelos cantos das minhas palavras.

A dor de cotovelo que arde no estômago.

Minhas dores também pertencem a um outro lugar.

Já começo a esquecer o teu sorriso.

Exausta de me despedir de ti.

Aquele mar que transformava toda voz em sussurro.

Meu vestido dançava no vento

Meu coração bebia aquecido do teu.

Errávamos o passo

Para que um pé pudesse beijar o outro.

Minha descoordenação ainda era amor.

Derrubei copos.

Círculo de vidros ao redor do meu corpo.

Sempre tive medo do que me fascina.

Espero por ti. Como se por uma vez
o tempo obedecesse o corpo

e não o contrário.

Quero envelhecer para que envelheças também.

Quero enlouquecer para que pareças real.

Uma estrela cai do céu cada vez que não olhamos juntos para a lua.

Teus braços fazem toda mala parecer estúpida.

Toda bagagem é excesso enquanto me afasto de ti.

Toda distância é excesso.

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