Bombonas de água fria e o manjericão que cresce e cresce e até onde vai o natural? Te espero na porta dos meus soluços, ainda lembra o número? O número do meu sutiã, que levava horas para escolher e, tu, alguns segundos para tirar. A não ser quando emperrava e eu ria e dizia que sexy e tu ria também e aí sim que nunca conseguia e então eu dizia deixa que eu tiro, mas era questão de honra que tu o tirasse. Antes a honra era casamento. Agora é tirar o sutiã.
Mas sempre achei que honra fosse coisa de gente reprimida, e completamente encontrados um no outro, não nos serviam as repressões. Então brincávamos como crianças que podiam se sujar sem os gritos histéricos da mãe, os gritos ultrapassados do catolicismo. Às vezes com o horário marcado, tenho quarenta minutos até a próxima reunião, ok, em sete segundos te desabotoei, trinta e nove minutos e 53 segundos. Vem, me dá tua boca aqui.
Mentira, tu já trabalhava de cuecas, aquelas cuecas bregas de gente velha, seu brega, e ria das tuas roupas porque elas pouco me importavam e amava tanto que elas pouco te importassem também, e ficava ao teu lado, decidindo onde ir ou o que comer ou o que escrever. Nunca tive coragem pra te contar que escrevo, pra te contar que escrevo de ti, para te contar que não te esqueci.
É por isso que tu gosta de mim, tu me diz confiante, respondo que não, é por isso, digo, com a mão ali, que vergonha que ainda tenho de escrever isso, meu puritanismo residual, minha mão ali, no teu pau, é por isso que gosto de ti. E é brincadeira, mas vejo por um milésimo de segundo o turvo da dúvida nos teus olhos de sol, e me arrependo na hora. Sei que não sabes de nada disso, mas o preço da informação, quanto me custaria? Te perco, se souberes que te amo te perco, porque não me amaria. Não podes me amar. É perfeito demais pra isso.
Conhece o mundo inteiro por apelidos, e mal sei chegar em casa. Conhece a extensão e a potencialidade do silêncio, e preciso tanto falar. Porque do teu silêncio sinto medo. Acho que não caibo nele. Se parar de falar vou me dar conta de que nunca tive absolutamente nada a dizer. Acho que ando meio mal, pequeno. E vou até aí e finjo que está tudo ótimo, com aquela soberba norte-americana, awesome, amazing, incredible, mas no fundo francesa, no fundo pas mal, pas grande chose, pas, pas, pas.
Acho que nunca menti tanto para alguém.
Irônico, logo para ti, que é a única verdade que sei.
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