One year came round, and still her heart was dead.
(Vita Sackwille-West)
Sexo, sei bem como é. Tu acha que tu tem alguma grande novidade entre as tuas pernas. Previsível e arrogante. É nos teus olhos que busco a novidade. Mas já estão enevoados com isso que a gente chama de tesão, de excitação, de qualquer coisa que dura menos que amor.
E aí sei o que vai acontecer, e como péssima escritora fujo da cena e começo a narrá-la para mim mesma, e agora ele, e agora eu, com variações na terceira pessoa, um ménage, eu, ele e a minha loucura: e agora, nesse ângulo, ela consegue ver nele aquilo que mais amou em outro, que jamais a amou para ver nela ângulos. Pitágoras amava a geometria, por isso via ângulos. Picasso amava a humanidade. Por isso a fazia em triângulos. Decompor alguém e, na decomposição, oferecer um sentido, uma ordem natural, uma ordem geométrica, é um ato de amor no meio desse caos. Mas agora ele toma a perna esquerda dela, encaixa no ombro direito dele, e ela não quer olhar pra cima, porque nos olhos dele não há o que ela não encontra.
Tu sai de cima de mim, resfolegando um pouco. Não sabe direito se eu gozei. Vocês nunca sabem. Espera que sim, mas não tem certeza. É exatamente assim que espero por ele. Que sim, que sim, que sim. Mas sem muita certeza.
Tomar um sorvete, ver um filme. Qualquer programa que só vale a pena quando os olhos. E tu nota os meus, empoeirados. É que é sempre estrada para onde olho. É sempre distância, tudo o que vejo me separa.
Mas por que ir tão a fundo nisso? Coloca um filme aí, enche a boca com uma colherada de chicabon e me deixa em paz. Não quero discutir porra nenhuma. Quanto tempo mais até tu ir embora? Me deixa sozinha, peloamordedeus, que ele pode chegar a qualquer hora.
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