Você carrega uma constelação nas costas. As quatro pintas. Um sorriso. Não, melhor: uma lua crescente. Isso, uma lua. Lua que eu tento formar, juntando os pontos com uma bic azul. Tento contornar cada uma das tuas pintas, juntá-las, imagem e sentido brotando dos meus dedos.
Quero luau. Acender fogueira e ficar bêbada nas tuas costas. Do teu cabelo meu mar, então me afogo e jogo uma rosa na tua boca. Para Iemanjá.
Me visto de branco com os lençóis e danço alucinada em transe em roda nas tuas costas.
As quatro pintas me iluminam.
Corro nua pela areia da tua pele, as ondas gemem de leve. Encosto em cada uma delas.
As quatro, marrons como quem é apaixonado pelo sol. As quatro formando essa lua crescente sem fim. Busco de novo a caneta, quero terminar, você nunca me deixa terminar de desenhar a lua, não entende que ela já estava ali traçada antes de mim.
Você não entende que é sempre luar.
É sempre luar nas tuas costas.
Ri, se revira e alega cócegas.
Só pessoas perfeitas sentem cócegas na lua.
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